Work-Life Caos

Muitas famílias, em particular mães, sentem-se prisioneiras da problemática do work-life balance.

E é um enigma difícil de decifrar, vejamos: A OMS recomenda amamentação exclusiva até aos 6 meses, a licença de maternidade paga a 100% é de 4 meses, só existem creches estatais a partir do jardim de infância (3 anos), os avós já não se reformam antes dos 65.

Pandemias à parte, os dias de trabalho dos pais são longos, e o tempo perdido em deslocações à hora de ponta nem sempre permite que se chegue às escolas até às 18h00 – soma-se o prolongamento à mensalidade. Mas pior que isso, os bebés ficam por vezes mais de 10 horas entre 4 paredes, numa creche, que por mais amados e bem tratados que sejam – são mais um.

Nos EUA toda esta problemática do work-life balance já é considerada uma crise nacional. Num estudo feito pela socióloga Caitlyn Collins, foram entrevistadas 135 mães-trabalhadoras, de classe média, em 4 países – Suécia, Alemanha, Itália e EUA – com o intuito de explorar se as diferentes políticas familiares impactam a forma como a parentalidade é vivida. As descobertas deste estudo não resolvem o conflito que as mães sentem, mas reforçam-nos a importância de não olharmos para este tema como “inevitável”, “toda a gente passa por isto”, “é assim há anos”, “muita sorte temos nós porque antigamente era pior”. 

Porque será que isto não é um tema na Suécia? Porque será que nos países do norte da Europa a taxa de mulheres que se dedicam à maternidade sem abdicar da carreira é superior ao resto da Europa e EUA? 

É preciso um olhar a fundo para as políticas, para as questões culturais e de igualdade de géneros para iniciar esta discussão. Olhar para os direitos do trabalhador, na parentalidade. É urgente redefinirmos os conceitos de maternidade, trabalho e família. 

Tudo isto sem falar na “bolha pandémica” que estamos a viver, porque aí eu daria outro nome a esta problemática… work-life caos. De facto, o coronavírus veio trazer-nos grandes desafios do ponto de vista de gestão das nossas vidas pessoais e familiares, e se há coisa que as empresas devem ter aprendido com isto é que é possível existir flexibilidade de horários, e sim… uma boa parte das funções pode perfeitamente ser feita remotamente. E estas são duas das coisas que mães e pais mais valorizam, no geral. 

Além disso, a pandemia também nos mostrou que, mais uma vez, na grande maioria dos casos, quem teve de alancar com filhos, telescola, teletrabalho, trabalho doméstico não remunerado foram as mulheres, porque continuam a receber menos que os homens. É preciso quebrar este ciclo, para ontem. É urgente conseguirmos igualdade salarial, maior flexibilidade laboral, e trazermos os homens e os pais para o mesmo barco. Este não pode ser um problema só das mães. Não tem de ser. Quando os pais começarem a fazer parte do problema, talvez comecem a surgir soluções.

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2 respostas

  1. Olá Joana. Obrigada pelo artigo e pela consciencia crítica. Adoraria participar de um círculo de debate sobre este tema, sinto que temos tanto nas nossas mãos a fazer… Aguardo com entusiasmo!

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