Que tipo de masculinidade serve de referência às tuas crianças?

Para os casais hétero normativos: o pai usufruiu da licença parental?
Como é a divisão do trabalho doméstico não remunerado na tua casa? O homem participa ativamente na vida das crianças? Sabe qual o dia em que têm de levar fato de treino, ou flauta, ou qual a cor da t-shirt que é preciso comprar para a festa de Natal? Também faltam ao trabalho quando estão doentes?

É que tudo isto vai moldar a forma como as crianças olham para o papel das mulheres e dos homens na sociedade. É o que veem todos os dias nas nossas casas. Como gerimos o nosso dia-a-dia de forma mais ou menos justa e respeitosa, na dinâmica homem-mulher.

Enquanto os pais não usufruírem dos seus direitos e cumprirem os seus deveres – e as mulheres lhes derem espaço para isso – nunca vamos conseguir concretizar esta mudança de paradigma. 

Generalizando, quando um homem dá a notícia no seu emprego de que vai ser pai, recebe palmadinhas nas costas (e até promoções… porque vai ser um provider), é visto como um valente cheio de virilidade. Quando uma mulher dá a notícia de que vai ser mãe, vai sendo encostada e por vezes passa a ser vista como descomprometida com a empresa. Felizmente já não é assim em todos os sítios, mas ainda vai sendo em demasiados locais de trabalho. Enquanto as mulheres assumirem sozinhas o peso e a responsabilidade da criação, nunca vão conciliar carreira e maternidade. O que, neste ciclo vicioso, significa que vão sempre ter de ser elas a abdicar e ficar por casa quando é necessário dar apoio às crianças.

A existência de papéis predefinidos e estanques nas famílias é prejudicial para todos. Às mulheres, por razões óbvias, e aos homens porque precisam de se libertar da opressão que têm vivido e precisam de permissão, espaço para cuidar e expressar sentimentos e vulnerabilidade.

A nova masculinidade rompe com os padrões antigos, assenta no princípio da igualdade e propõe que se olhe para a forma como as novas gerações estão a ser criadas.

Está na hora de pormos um ponto final à masculinidade tóxica, e permitirmos que as crianças cresçam com boas referências. Modelos justos e igualitários, que simbolizam esta nova masculinidade saudável de que tanto se fala.  

A esperança reside essencialmente nas nossas crianças, mas a responsabilidade… essa continua a ser nossa.

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