Porque continuamos a furar as orelhas às bebés?

O tema parece ser polémico, pelo menos no Brasil e Reino Unido sei que já deu muito que falar. ⁠ ⁠

Deixo aqui alguma food for thought sobre o tema:⁠ ⁠

Primeiro, uma dúvida genuína: Porquê?
É por inércia cultural tipo “porque sempre se fez”?
É por falta de reflexão e questionamento?

Qual a necessidade por trás? Deixar claro que as crianças são do sexo feminino?⁠ ⁠Porque é que isto é tão importante?⁠

⁠Para quem é que isto é importante… para a criança ou para o adulto?

Qual o sentido de se provocar dor a um bebé acabado de nascer ou mesmo já com 6 meses ou um ano, sem que seja estritamente necessário, por questões de saúde?⁠ ⁠

Os pediatras e profissionais de saúde falam em vários perigos associados, nomeadamente de infecção e de asfixia associada à ingestão dos brincos. Será que existe esta consciência?

Como a criança não fica com memórias desse episódio, não a dor ou sofrimento associado ficam sem efeito?⁠ ⁠

A mim, que ninguém me ouve, parece-me ser mais uma forma de violência contra as mulheres. ⁠ ⁠

ps – Já li algumas coisas sobre furar as orelhas de forma humanizada, enquanto mamam, com o furo feito num sítio especifico e validado pela acupunctura, mas as minhas questões mantêm-se.

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2 respostas

  1. Eu já estive a pensar em fazer uma t-shirt com os dizeres “não preciso de um piercing” e colocar na minha filha sempre que íamos à rua quando ela era bebé.
    Ela nasceu em Portugal, moramos na Inglaterra e depois passamos 4 anos no Brasil. Nitidamente, a cultura brasileira se incomoda mais com a falta de um furo na orelha de uma criança do que as outras culturas que vivi. 100% das vezes que saímos à rua desconhecidos perguntavam-me “mas ela não tem um brinquinho?”….
    Hoje, com 6 anos, ela não quer furar a orelha e diz que não pretende. Adora pulseiras, cordões, adornos para o cabelo. Diz que quando for grande quer fazer tatuagens (já usou algumas adesivas). Mas furar a orelha, atualmente, não está nos planos dela.
    Isso só reforça que não lhe ter causado essa dor quando bebê foi apenas mais uma forma de respeita-la enquanto indivíduo, enquanto pessoa.

    1. Pois é… às vezes chega a ser exaustivo combater estes esteriotipos e construções de género da sociedade. Mas só estes questionamentos que fazemos enquanto mães e pais, e todas as pessoas que pomos a pensar com estas nossas intenções, já são um bom ponto de partida! Muito obrigada, Carol, pela partilha <3

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