INCELs a subcultura virtual que odeia mulheres

Hoje o tema é um pouco mais pesado que o habitual, mas acredito que para conseguirmos ser proactivos na nossa parentalidade temos de estar conscientes e informados do tipo de realidade, conteúdo e estímulo a que um jovem pode estar exposto nos dias que correm.

⁠Incel é uma palavra que surge a partir de involuntary celibates ou em português “celibatários involuntários“. Eles são, na minha ótica, uma consequência dos esteriótipos de género, da falta de acompanhamento psicológico, de uma educação sem empatia, sem comunicação, sem autoestima e autoconfiança e com um fixed mindset. E quando esses ingredientes se juntam num cocktail com o isolamento e o universo online, o resultado pode ser verdadeiramente dramático.

Quem são os Incels?
São os membros de uma subcultura virtual que se definem como incapazes de encontrar parceira romântica/sexual, apesar de desejarem, e são maioritariamente jovens e homens heterossexuais. Acreditam que não há nada neste mundo que possam fazer para alterar esta condição porque a causa está na sua “fraca” aparência física. Acreditam também que têm direito a sexo e culpam a libertação das mulheres pela sua incapacidade de encontrarem esta realização. Chamam “femóides” às mulheres, porque as classificam como sub-humanas, quando a única coisa que querem efectivamente é que se sintam atraídas por eles. Acreditam que a legitimização da violência sexual é uma forma de retomarem o controlo sobre as mulheres.

É um grupo caracterizado pelo ressentimento, misóginia, misantropia, autopiedade, autoódio, racismo.

Os incels são hoje em dia vistos como um grupo supremacista masculino virtual, responsável por, pelo menos quatro massacres nos EUA e Canadá, resultando em 45 mortes.

Em 2014, Elliot Rodger, incel de 22 anos, estudante frustrado e extremamente raivoso com as mulheres que o rejeitaram, matou seis pessoas e feriu outras catorze na Universidade da Califórnia. O seu nome foi sempre repetido nos massacres que se seguiram, o último deles em 2019. Virou uma espécie de padroeiro de todos os jovens solitários cujo acesso às relações amorosas foi negado por não se encaixarem nos supostos padrões ideais de beleza, raça ou condições financeiras.

Segundo o diretor do Centro para a Prevenção da Radicalização que leva à Violência, Herman Deparice Okomba “Este tipo de discurso enfatiza uma certa interpretação tradicional do papel da mulher”.

E, digo eu, reforça a urgência em desconstruir esteriótipos de género: os homens têm de ser fortes, másculos, ter estrutura óssea de super herói; as mulheres existem para dar prazer aos homens e para procriar. A pressão absurda que existe sobre os rapazes para perderem a virgindade antes de terminarem a escola, e as consequências que isto lhes trás a eles e às raparigas, é também algo que precisa de ser questionado e olhado com muita atenção e tato.

Muitas destas pessoas vêm de lares destruturados, onde existem poucas ou nenhumas ligações emocionais ou afectivas. E parece também haver um certo senso de desresponsabilização por parte das escolas.

Não podemos continuar a permitir este tipo de discurso misógino e preconceituoso, em pleno 2021, e se nos apercebermos destes comentários em crianças e jovens devemos agir, com sensibilidade e empatia.

É fundamental conseguirmos estabelecer vínculo, trabalhar o espírito reflexivo e crítico, persistência, resiliência, amor próprio, autoestima, autoconfiança, autodisciplina. E claro, encaminhar para acompanhamento especializado, se for caso disso.

Se ficaste com vontade de saber mais sobre este tema, aconselho muito este vídeo da youtuber e filósofa Natalie Wynn, que é exímia a explicar este fenómeno infeliz.

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