A escola mata a criatividade?

Ken Robinson é um dos mais conceituados e influentes escritores e oradores sobre inteligência a criatividade, e define a criatividade como o processo de chegarmos a novas ideias que acrescentem valor. Sim, o processo e não a capacidade, porque ser criativo é uma atitude.

Na sua Ted Talk mais conhecida, ele conta uma história sobre um estudo longitudinal de criatividade feito pela NASA em 1968, para testar a criatividade das crianças. O estudo começou quando a amostra tinha entre os 3 e os 5 anos (pré-escolar) e foi repetido aos 10, aos 15 e aos 31 anos.

Este estudo teve como base o mesmo teste de criatividade que existia para selecionar engenheiros e cientistas inovadores, e implicava olhar para um problema e pensar em novas formas diferentes de o resolver.

Por exemplo, quantas funcionalidades diferentes conseguem pensar para um clip? A maior parte de nós consegue pensar em cerca de 10 a 15 funções diferentes, num dia bom!

Estes foram os resultados:

Partindo do princípio que o nível “génio” é o score a 100%, conseguimos perceber que uma criança de 5 anos tem pontuação quase máxima, e que à medida que os anos vão passado, os resultados vão descendo drasticamente.

O que é que aconteceu entre os 5 e os 10 para uma queda tão abrupta dos índices de criatividade?

Uma das variáveis que aponta é a escolaridade.

A nossa sociedade em geral, e o nosso sistema de ensino em particular, continua a valorizar (quase exclusivamente) o pensamento convergente. A ideia de que só existe uma resposta certa para cada problema. De que só existe uma e só uma interpretação possível para cada caso.

A matemática e as línguas continuam com maior preponderância do que as ciências humanas, cidadania, ética, artes, drama ou expressão corporal. Continua a dar-se força a binómio “académicos” (inteligentes, intelectuais) e “não académicos” (operacionais, inteligência mais limitada).

Uma das ferramentas essenciais para a criatividade é o pensamento divergente. Algo que é, de modo geral, pouco promovido nas escolas mais clássicas. É o pensar em novas formas originais, novas soluções, avaliar todas as possibilidades nunca antes pensadas ou criadas. Não ter medo de errar.

Smartphones, consolas, tablets, tv, pc, tpc, actividades extra curriculares non stop, matérias curriculares com foco apenas em teoria, razão e lógica, zero tempo livre, e até ritalina ou outros fármacos para melhorar a concentração e a memória – em alguns casos.

A ideia não é retirarmos as crianças da escola, nem nada que se pareça! É apenas para nos ajuda a entender a importância de promovermos esta competência, que é tão útil em todas as profissões e todas as áreas da vida adulta.

Ken Robinson diz que precisamos de mais ‘designers de jogos’ e não de mais ‘jogadores’.

Outra ted talk muito interessante sobre este tema é a de Longan LaPlante, um adolescente de 13 anos que diz que quando for grande quer ser feliz. Ele fala sobre como ter um pensamento divergente na sua educação o ajuda chegar mais perto desse objectivo, todos os dias.

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